MAPUTO – No passado domingo, dia 2 de Agosto de 2026, a comunidade metodista unida reuniu-se na Capela de Malhangalene para celebrar uma das mais belas e profundas tradições da Igreja Metodista Unida em Moçambique (IMUM): o Culto de Acção de Graças. O evento, que marcou o início das celebrações que ocorrem tradicionalmente nas duas primeiras semanas de Agosto — mês das colheitas no país —, foi caracterizado por uma vibrante moldura humana, cânticos de louvor, trajes elegantes e uma profunda atmosfera de gratidão espiritual.

O culto deste ano no Cargo Pastoral de Malhangalene, situado no Distrito Municipal de KaMpfumo, revestiu-se de especial importância ao contar com a presença de duas das figuras mais proeminentes da liderança episcopal da IMUM: o Bispo João Filimone Sambo e a Bispa Emérita Joaquina Filipe Nhanala, que, por feliz coincidência, são membros registados deste mesmo cargo pastoral. O programa litúrgico foi exemplarmente dirigido pela Igreja Local de Maxaquene, uma das sete congregações que integram o dinâmico Cargo Pastoral de Malhangalene.

Uma Tradição de Fé e Resiliência Moçambicana

A celebração da Acção de Graças na IMUM carrega um legado histórico profundo, cujas origens remontam ao final do século XIX (décadas de 1880–1890), com a chegada dos primeiros missionários metodistas, como o Rev. Erwin H. Richards e o Rev. William C. Wilcox, à província de Inhambane. Ao introduzirem as práticas litúrgicas metodistas de gratidão, estas fundiram-se harmoniosamente com as tradições locais de agradecimento pelas colheitas das suas machambas e hortas, pela chuva e pela protecção espiritual, dando origem a uma celebração híbrida e genuinamente moçambicana.

Ao longo do século XX, a celebração consolidou-se como uma resposta de fé comunitária face a inúmeras provações, incluindo o período colonial, as restrições pós-independência e o doloroso período da guerra civil (1977–1992). Em centros históricos como a Missão de Cambine, em Morrumbene, a Acção de Graças tornou-se um símbolo de sobrevivência, paz e reconstrução, onde a comunidade se reunia para agradecer pela vida e partilhar os frutos da terra com os mais necessitados.

O Sermão Episcopal: “Quem está disposto a encher a sua mão?”

O momento central celebração foi o Sermão Episcopal, ministrado pelo Bispo João Filimone Sambo. Baseando a sua mensagem no texto bíblico de 1 Crónicas 29:1-14, que relata as ofertas voluntárias do Rei Davi, dos príncipes e do povo para a construção do Templo de Jerusalém, o Bispo Sambo teceu uma profunda analogia com a realidade actual da Igreja.

Na sua alocução para os cerca de 500 a 600 membros presentes na capela, o Bispo sublinhou que a generosidade de Davi não se limitou a oferecer bens comuns, mas sim o seu “ouro e prata particular”. Ele lançou um desafio prático e reflexivo à congregação:

“Quem pois está disposto a encher a sua mão, a encher o seu coração, a encher a sua mente para oferecer voluntariamente ao Senhor?”

O prelado enfatizou que a Acção de Graças não deve ser reduzida à provisão de bens materiais ou recursos financeiros. Pelo contrário, a gratidão manifesta-se no sorriso, na indumentária cuidada, no louvor sincero e, acima de tudo, no reconhecimento diário de que “tudo o que temos e tudo o que somos provém do Senhor”. Sambo exortou os fiéis a oferecerem a Deus os seus testemunhos de saúde, de protecção contra acidentes, de progresso profissional e de união familiar de forma inteiramente voluntária e alegre.

Presenças Ilustres, Diálogo Ecuménico e Parceria Municipal

A relevância e o prestígio deste culto de Acção de Graças reflectiram-se no elevado perfil dos convidados institucionais e religiosos presentes. O evento contou com a honrosa participação do Director Nacional para Assuntos Constitucionais e Religiosos, em representação oficial do Ministro da Justiça e Assuntos Parlamentares, sublinhando o respeito mútuo e a proximidade entre o Estado moçambicano e a Igreja Metodista Unida.

O espírito de unidade cristã e ecumenismo esteve fortemente patente com a presença de representantes das congregações vizinhas do Bairro Ecuménico, com destaque para as delegações da Igreja Católica Romana, da Igreja União Baptista e da Igreja Congregacional Unida. A celebração foi enriquecida ainda pela calorosa presença de uma delegação oficial da Igreja Presbiteriana de Moçambique, além de diversos outros convidados especiais trazidos de forma carinhosa pelos membros das diferentes congregações locais.

No âmbito municipal, destacou-se a presença da Vereadora Anabela Inguane, titular da pasta da Mulher, Assistência Social e Família no Conselho Municipal de Maputo, que se fez presente em representação oficial do Presidente do Conselho Municipal de Maputo. Estiveram também presentes o Administrador do Distrito Municipal de KaMpfumo e o pastor anfitrião do cargo pastoral, Pastor Xavier Naftal Guambe.

Ao ler a mensagem oficial do Presidente do Conselho Municipal, a Vereadora Anabela expressou a enorme satisfação da edilidade em associar-se a esta “festa de gratidão ao Criador”. A mensagem destacou as passagens bíblicas de 1 Samuel 7:12 (“Até aqui nos ajudou o Senhor”) e 1 Tessalonicenses 5:17-18 (“Orai sem cessar. Em tudo dai graças”), contextualizando a importância da solidariedade e da fraternidade face aos desafios sociais e económicos que a cidade de Maputo e o país enfrentam.

“O Conselho Municipal de Maputo reconhece a grande importância das igrejas, sobretudo a Igreja Metodista Unida, na restauração do tecido humano e moral, na educação e em todas as acções sociais em prol das nossas comunidades mais vulneráveis, reconhecendo a Igreja como parceiro do governo e do desenvolvimento do nosso belo município.”

A representante municipal encerrou a sua intervenção convidando a comunidade a “abraçar Maputo”, uma urbe que se pretende cada vez mais bela, acolhedora e segura, simbolizada pelas suas icónicas acácias e jacarandás.

O Ofertório Festivo: Cânticos, Versículos Bíblicos e Trajes Identificativos

O momento do ofertório constituiu um dos pontos mais altos e visualmente marcantes de toda a celebração, traduzindo de forma viva e pulsante a diversidade e a comunhão das diferentes congregações que compõem o Cargo Pastoral de Malhangalene.

Seguindo uma ordem festiva e organizada, cada congregação local apresentou as suas ofertas de gratidão a Deus pelos frutos do seu trabalho e da colheita. Este acto de entrega foi marcado por três aspectos singulares:

  • Trajes Identificativos: Os membros de cada congregação apresentaram-se devidamente trajados com indumentárias características. A uniformidade de cores e tecidos não só embelezou a capela, mas também serviu como um forte símbolo de identidade comunitária, pertença e organização colectiva de cada igreja local.
  • Cânticos e Louvores Dinâmicos: As ofertas não foram feitas em silêncio; cada congregação entoou cânticos rítmicos e hinos de louvor contagiantes, que moveram toda a capela numa atmosfera de dança, alegria e profundo júbilo espiritual.
  • Proclamação da Palavra: À medida que entregavam as suas ofertas e bens materiais (como produtos agrícolas e outros bens da colheita), os fiéis declamavam em voz alta versículos bíblicos de gratidão alusivos à celebração. Esta declamação colectiva e solene reforçou a raiz bíblica do seu compromisso, respondendo na prática ao repto espiritual do ofertório voluntário.

A dedicação dos membros na preparação da sua indumentária elegante, dos seus cânticos e da proclamação dos textos bíblicos foi amplamente elogiada pela liderança episcopal, que destacou a beleza e a excelência com que o povo metodista se aprumou para agradecer ao Criador.

Bênção Colectiva e um Compromisso que se Renova

O clímax espiritual e comunitário do culto de Acção de Graças de 2026 no Cargo Pastoral de Malhangalene encerrou-se com uma solene invocação de graça sobre todo o povo de Deus. A bênção final foi invocada conjuntamente pelo Bispo João Filimone Sambo e pela Bispa Emérita Joaquina Filipe Nhanala, unindo a liderança episcopal activa e histórica num gesto de profunda comunhão, paz e renovação espiritual.

Através das ofertas voluntárias, da partilha solidária e do fortalecimento dos laços fraternos, a IMUM em Malhangalene reafirmou o seu compromisso de apoio humanitário e de actuação activa como um farol de esperança e reconstrução social no município de Maputo.

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